Quinta-feira, Agosto 24, 2006

Artigo #2

A favor da pureza

Quando os irmãos Lumière inventaram o cinema no ano de 1895, ainda chamado de cinematógrafo, a nobreza francesa se posicionou radicalmente contra. Ela afirmava que o cinema era uma cópia mal feita dos teatros e das óperas. Que o cinematógrafo iria “emburrecer” as pessoas. Que iria substituir o erudito pelo popular. Que por fim, decretaria a morte de uma cultura fina e elegante o e início do nivelamento da cultura com ênfase na classe mais baixa. Contudo, em pleno ano 2006, vemos que esta tese não se concretizou. O teatro e a ópera estão ativos como nunca. Ambos continuam pertencendo à nobreza. Vimos também que o cinema realmente se tornou popular. Porém, tivemos casos onde a arte esteve em primazia. Podemos citar alguns diretores como Fellini, Coppola, Wim Wenders e até, porque não, Woody Allen. Em alguns casos o cinema serviu de trampolim para o teatro. Nunca os palcos estiverem tão cheios.

Com base nessa comparação, vê-se claramente que as brigas geradas entre os tradicionalistas gaúchos o e Tchê Music apenas porão o tema em pauta, e com isso, ambos os grupos sairão mais fortes. A música tradicionalista não pode morrer, porque ela representa uma cultura de um povo. Os CTGs são como as Óperas francesas. Nossa nobreza está nela. Eles enfatizam, através de danças (atos) toda a história do gaúcho. Os CTGs junto com Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) devem continuar intocáveis e inalteráveis, pois a história, o passado, não pode ser mexido, alterado ou profanado. Eles carregam, queiram ou não, nossa essência.

O movimento musical Tchê Music provém da cultura nobre do gaúcho. Contudo eles se adaptaram a um novo público, que antes se encontrava marginalizado. Um povo sem origens. Logicamente, a música teve de se tornar popular para atingir este grupo. As questões culturais foram deixadas de lado, e o ritmo se tornou mais sensual. Do quê o populacho mais gosta? De sexo (não que eu também não goste). Essa nova música remete diretamente ao que de mais rude o homem tem. Mais primitivo. Digo isso levando em consideração a forma de dançar. A tradicionalista lembra as danças clássicas européias de século XVIII. O homem bem separado da mulher, com uma das mãos tocando as costas da dama e a outra segurando a mão da companheira. Já a Tchê Music, literalmente, é uma dança maxixada. Tem extremo contato físico. Os participantes ficam, praticamente, acasalando de pé (aqui quero deixar bem claro que não faço julgamento de valor). Com relação às letras, elas não dizem nada. Apenas relatam alguns romances interrompidos, como qualquer música sertaneja é capaz de fazer.

Assim vos digo: nenhum dos estilos está condenado ao fim. O Tchê Music servirá de trampolim, como o cinema foi para o teatro, para uma cultura mais nobre que é a tradicionalista. Contudo, volto a afirmar, a música tradicionalista só irá acabar caso ela se misture a Tchê Music. Depois de misturado, miscigenado, nada volta a pureza.